Nos EUA, negros e hispânicos têm exposição 75% maior à poluição do ar do que brancos

Imagem: Scott Olson (Getty Images)

A poluição do meio ambiente é um problema global amplamente conhecido e que tem participação direta por fábricas, carros, construções, usinas de combustível fóssil, entre outras origens. Agora, um novo estudo, que analisou 14 das principais fontes de poluição do ar, mostra como ela afeta de forma desproporcional os cidadãos de cor nos Estados Unidos.

Publicado na Science Admanships nesta quarta-feira (28), o relatório usou um modelo de qualidade do ar para estimar os níveis de PM2.5 — partículas inaláveis de diâmetro inferior a 2,5 micrômetros e que constituem um elemento da poluição atmosférica. Essas partículas tiveram origem de 5.434 fontes listadas no inventário nacional d emissões de 2014 da Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Os pesquisadores então agruparam essas fontes em 14 setores diferentes para mapear como cada um deles afeta a vida da população.

Dos 14 setores analisados, 12 deles colocaram pessoas de cor a exposições 75% maiores do que a média inalada por pessoas consideradas brancas. Entre negros e hispânicos, a exposição foi ainda maior: entre 78% a 87%. Pessoas brancas, por outro lado, viram esse número cair para 40%. A poluição foi medida tanto em áreas rurais quanto urbanas, e em locais com maior e menor poder aquisitivo.

“Basicamente, todos os principais setores de origem [de poluição do ar] nos EUA impactam desproporcionalmente pessoas de cor”, disse Joshua Apte, cientista da Universidade da Califórnia e co-autor do estudo. A pesquisadora ainda afirma que essa exposição acima da média não é acidente — ela acontece de forma estrutural. Estudos recentes mostram que o setor público e privado são mais propensos a construir todos os tipos de infraestrutura poluente dentro e em torno de áreas onde vivem pessoas que não são brancas.

Christopher Tessum, professor assistente de engenharia civil e ambiental da Universidade de Illinois e co-autor do estudo, diz que um exemplo muito comum nos EUA é o chamado “redlining”, em que empréstimos são negados para pessoas que moram em áreas rotuladas como “perigosas”. Os mais atingidos por essa prática discriminatória ainda são os negros, que não conseguem comprar ou alugar casas em determinadas vizinhanças por morarem nessas áreas que, segundo a iniciativa pública e privada, são de risco, aumentando a segregação racial no país.

Pesquisas apontam que os negros que habitam essas regiões são ainda mais propensos a inalar partículas PM2.5, que pode penetrar não apenas nas vias respiratórias, mas também no sangue e chegar ao cérebro.

A disposição é também por causa das áreas geográficas em que as corporações e governos escolhem para suas infraestruturas, e onde diferentes grupos de pessoas tendem a morar. Por exemplo, as emissões agrícolas são uma das poucas fontes de poluição que afetam as pessoas brancas mais que a média. Essa poluição vem de fazendas, que são mais frequentemente colocadas em áreas rurais que tendem a ter mais pessoas brancas do que nas áreas urbanas. Em contraste, há mais carros e projetos de construção em grandes cidades, onde mais pessoas não brancas estão propensas a habitar.

Como essa disparidade foi criada por muitas políticas e práticas há centenas de anos, não há uma solução instantânea capaz de corrigi-la. Isso é especialmente verdadeiro por causa de como a política da U.S. é escrita. “A maioria das áreas nos EUA, por definição do modo como temos nossas leis, felizmente atende aos padrões de qualidade do ar. No entanto, se as fontes de poluição ficam mais situadas em comunidades de cor, as disparidades ainda permanecem. Quando se tem um problema tão sistêmico, é necessário cobrar uma ação federal centralizada”, comenta Apte.

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