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Trump reclama de ‘extremismo radical’ e admite que reduziu testes para esconder casos de Covid-19

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O presidente Donald Trump discursa no BOK Center, em Tulsa (Oklahoma) — Foto: Sue Ogrocki / AP Photo

O presidente Donald Trump discursa no BOK Center, em Tulsa (Oklahoma) — Foto: Sue Ogrocki / AP Photo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomou sua campanha eleitoral em Tulsa, Oklahoma, com um comício com aglomerações em um período ainda crescente disseminação de coronavírus no país. Durante discurso aos seus seguidores ele reclamou do “extremismo radical” dos democratas e admitiu ter ordenado reduzir os testes de detecção de Covid-19 para reduzir número de casos.

“Os democratas querem preencher os tribunais com extremistas”, disse Trump em seu primeiro comício após à pandemia.

O presidente norte-americano voltou aos seus tópicos favoritos: as desqualificações de seu rival nas eleições presidenciais de novembro, o candidato democrata Joe Biden; culpar a China por não ter controlado a propagação do vírus; e reivindicar como presidente da ‘lei e ordem’.

“Se Biden chegar ao poder, será o fim dos EUA, já que é controlado pela esquerda radical”, afirmou.

O encontro ocorreu em um clima de forte tensão, uma vez que foi o maior evento em um espaço fechado – um estádio com capacidade para 19.000 pessoas – nos EUA desde o início da pandemia.

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O presidente Donald Trump discursa no BOK Center, em Tulsa (Oklahoma) — Foto: Nicholas Kamm / AFP

O presidente Donald Trump discursa no BOK Center, em Tulsa (Oklahoma) — Foto: Nicholas Kamm / AFP

Sem máscaras e distanciamento social

O complexo BOK Center não lotou. Houve distribuição de máscaras, mas ninguém foi forçado a usar a proteção. Pelas imagens divulgadas pelas agências internacionais de notícias, não houve distanciamento social dentro do complexo.

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Maior parte dos apoiadores do presidente Donald Trump dispensou máscaras e não obedeceu ao protocolo de distanciamento social — Foto: Evan Vucci / AP Photo

Maior parte dos apoiadores do presidente Donald Trump dispensou máscaras e não obedeceu ao protocolo de distanciamento social — Foto: Evan Vucci / AP Photo

Sem processo

Para participar do comício foi necessário comprometer-se a não processar a equipe eleitoral de Trump, mesmo que alguém contraia Covid-19 no local.

Um outro evento próximo ao local utilizado pelo bilionário americano, organizado pela equipe do vice-presidente Mike Pence, foi suspenso por falta de gente.

A pandemia já matou mais de 119.000 pessoas e infectou 2,2 milhões nos EUA. Neste sábado, foram registrados mais 30 mil contaminados.

Trump defendeu seu plano de fechar as fronteiras e mostrou ceticismo sobre os testes para saber a magnitude do contágio.

Em um comentário surpreendente, ele enfatizou que “os testes são uma faca de dois gumes porque quando você faz tantos testes, encontrará mais casos”.

“Então eu disse ao meu povo, parem os testes, por favor”, disse o presidente.

Realizar uma manifestação em um espaço fechado contradiz as recomendações de especialistas dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), cuja orientação é evitar grandes reuniões presenciais onde é difícil manter pelo menos dois metros de distâncias das pessoas.

O local escolhido por Trump para retomar sua campanha pela reeleição é o mesmo de um dos piores massacres de afro-americanos da história, ocorridos em 1921, quando até 300 negros morreram nas mãos de grupos brancos.

“Somos o partido de Abraham Lincoln e o partido da lei e da ordem”, disse Trump, referindo-se ao presidente republicano que promoveu a abolição da escravidão no meio da guerra civil (1861-1865).

Pena para quem pisar na bandeira

Sobre os protestos generalizados, que causaram a destruição de estátuas e monumentos da Confederação, o presidente foi direto ao acusar manifestantes de “anarquistas e incendiários”.

“Eles querem demolir nossa herança … Deveríamos ter legislação para que, se alguém quiser queimar a bandeira e pisar nela, seja preso por um ano”, afirmou.

Mais comícios

Depois de Oklahoma, Trump voltará à estrada nas próximas semanas com comícios para sua campanha eleitoral na Flórida, Arizona e Carolina do Norte, todos os principais estados que podem decidir o resultado das eleições de 3 de novembro.

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