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Tesouro escondido no mar desafia caçador de recompensas

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GettyDireito de imagem Getty
Image caption O SS Connaught foi ao fundo há 156 anos

É verão em Gloucester, cidade do Estado americano de Massachusetts. O balneário está cheio de veranistas e muitos passaram o dia inteiro na água do mar. À medida em que a tarde se vai, barcos voltam aos ancoradouros e banhistas se dirigem para bares e restaurantes.

Mais de 100 anos atrás, porém, uma tragédia por pouco não ocorreu por ali. Em 1860, a 160 km de Gloucester, um dos maiores navios a vapor do mundo começou a fazer água. Por pura sorte, os passageiros do SS Connaught foram salvos. Mas a carga da embarcação – milhões de dólares em moedas de ouro – foi parar no fundo do Atlântico Norte.

É isso que trouxe Micah Eldred a Gloucester. Ele quer encontrar o tesouro do Connaught. Ele é uma das poucas pessoas que sabem a exata localização do naufrágio. E ele acredita ter descoberto uma forma de recuperar o ouro.

Carga valiosa

O convés do barco de Eldred é repleto de equipamentos – guinchos, cabos e até um robô submarino. Praticamente tudo está pronto para uma expedição que pode enfim tirar o ouro das profundezas. Se conseguir, Eldred e sua equipe se tornarão pioneiros da caça ao tesouro.

Esta é uma história sobre uma nova onda de expedições e de exploradores: armados com sonares, navegadores GPS e robôs, eles buscam tesouros perdidos no leito do oceano. O custo do equipamento high tech caiu nos últimos anos, o que aumentou as fileiras de aventureiros, de bilionários a amadores. Um deles até virou um fugitivo notório.

Quatro anos atrás, Eldred e sua equipe começaram uma busca por naufrágios cuja carga era valiosa o suficiente para justificar seu resgate. Mas que também fossem tecnicamente possíveis de escavar. No fundo do mar, há uma série de fatores que podem fazer um trabalho impossível ou extremamente caro.

Os destroços podem estar em profundidades muito grandes. As correntes marinhas podem ser fortes demais e o relevo do fundo pode dificultar o acesso. O próprio navio pode oferecer dificuldades para ser “invadido”. Por isso, depois de elaborar uma lista inicial de mais de 1.500 naufrágios, a equipe do americano reduziu o número de possíveis alvos para 20.

Direito de imagem Chris Baraniuk
Image caption Micah Eldred chefia time de exploradores

No topo da lista estava o Connaught. E a análise foi feita por Taylor Zajonc, pesquisador-chefe do Endurance Exploration Group, a empresa montada por Eldred. Zajonc e seus colegas passaram horas em bibliotecas nos EUA e no exterior examinando documentos oficiais, recortes de jornais e qualquer outra fonte escrita em que pudessem encontrar informações sobre o Connaught. Precisavam saber desde que tipo de embarcação o navio era, o quanto se sabia sobre sua ultima posição e onde exatamente o ouro tinha sido armazenado.

Porém, Zajonc não conseguiu encontrar as plantas do navio. E acredita que elas podem nunca ser encontradas.

“Elas não parecem estar em lugar algum com acesso público. Se existem, devem estar na coleção particular de alguém”, explica.

Mas Zajonc conseguiu encontrar informações interessantes o suficiente sobre o navio, e não necessariamente apenas sobre o valor da carga. Ele descobriu a incrível história de como o navio afundou.

A construção do Connaught envolveu mil pessoas, que trabalharam durante nove meses. O navio tinha 113 m de comprimento, o que fazia dele o segundo maior vapor do mundo na época. Impulsionado por motores laterais, o Connaught podia atravessar o Atlântico Norte, trazendo imigrantes da Europa para América, entregar correspondências e, claro, transportar passageiros ricos. O navio foi ao mar pela primeira vez em Newcastle, na Inglaterra, em 21 de abril de 1860. Fez apenas uma viagem completa.

Direito de imagem Chris Baraniuk
Image caption A garrafa é uma das evidência de que local do naufrágio foi encontrado

Em 6 de outubro, o navio estava a 160 km do porto de Boston quando homens na sala de máquinas descobriam que água estava invadindo uma seção próxima ao leme. Logo, o navio estava começando a adernar. O comandante do navio, o capitão Leitch rapidamente ordenou medidas que estabilizaram a embarcação, que incluíram desligar os motores, e os passageiros tiveram esperanças de que o Connaught poderia usar suas velas para chegar a Boston.

Um incêndio, porém, começou a devorar o navio e, enquanto esforços para salvar os passageiros tiveram sucesso, as chamas impediram acesso até a carga preciosa. Ao menos, nenhuma vida se perdeu: todos os 600 passageiros e tripulantes sobreviveram.

No verão de 2015, um agente aduaneiro em Gloucester recebeu um chamado de rádio inesperado. Uma equipe de resgate de naufrágios chamada Endurance tinha encontrado artefatos. Objetos recuperados nessas situações precisam ser declarados às autoridades, já que os destroços se encontravam em águas internacionais. Eldred descreveu como pôde a garrafa de vidro e um pedaço de porcelana com a marca da empresa dona do Connaught. Os objetos tinham sido encontrados a 300 m de profundidade, após 150 anos no fundo do oceano.

O agente aduaneiro pediu que os exploradores entrassem em contato apenas se achassem algo de valor. Mas o pedaço de cerâmicas era bem menos trivial do que se imaginava, pois assegurava que se tratava do navio procurado pela Endurance.

Direito de imagem Enduranca
Image caption Área do naufrágio é extensa

A tarefa ainda não é fácil. O local do naufrágio é amplo, escuro e complicado de mapear. Por isso, Eldred tem conversado com uma companhia chamada Bluefin Robotics, que produz o que se pode chamar de drones submarinos. Eles não estão atrelados ao um navio e navegam de forma independente. Os robôs da Bluefin foram usados nas buscas pelo voo MH370 da Malaysia Airlines, desaparecido em março de 2014.

Ninguém sabe ao certo quanto ouro e prata ainda pode ser recuperado em naufrágios, mas a escalada dos achados é de tirar o fôlego. Há alguns meses, a Colômbia anunciou que o galeão espanhol San José, que afundou em 1708, tinha sido encontrado. Teve início uma batalha legal e diplomática para decidir quem ficaria com os direitos sobre um tesouro avaliado em bilhões de dólares.

Mas Eldred diz que não está atrás de ouro. “Sei que (o dinheiro) está nos sonhos de muita gente. Mas, para mim, o ouro é apenas um bônus. Queremos tornar nosso negócio respeitável. A empolgação para mim vem de construir um negócio extremamente complexo”, explica.

O americano, porém, sabe que alcançar o tesouro definiria a Endurance como uma história de sucesso e poderia gerar lucros de milhões para a empresa.

Eldred está convencido de que vai conseguir chegar até o navio. Antigamente, as pessoas consideravam perdidas as riquezas engolidas pelo mar. Mas o americano não quer ser derrotado por esse velho naufrágio.

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