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Foto sem data dos irmãos Trump, à direita: Maryanne, Donald, Fred, Elizabeth e Robert — Foto: Divulgação/BBC

Foto sem data dos irmãos Trump, à direita: Maryanne, Donald, Fred, Elizabeth e Robert — Foto: Divulgação/BBC

A sobrinha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve publicar um livro de memórias crítico a ele. Mas quem é ela e por que veio a público só agora?

Em 28 de julho, Mary Trump deve lançar Too Much And Never Enough: How My Family Created the World’s Most Dangerous Man (Demais e nunca o suficiente: Como Minha Família Criou o Homem Mais Perigoso do Mundo, em tradução livre), anunciou a editora Simon & Schuster na segunda-feira (15).

O livro chegará às prateleiras apenas algumas semanas antes da Convenção Nacional Republicana, quando o partido deve confirmar a indicação de Trump para concorrer à reeleição em novembro.

O livro de memórias vai revelar como ela forneceu ao jornal americano “The New York Times” documentos confidenciais que resultaram em uma investigação abrangente sobre as finanças pessoais de Trump.

A reportagem exclusiva, vencedora do prêmio Pulitzer, o principal do jornalismo mundial, mostrou que o presidente americano havia se envolvido em esquemas fiscais “fraudulentos” e recebeu mais de US$ 400 milhões (em valores atualizados) do império imobiliário criado por seu pai.

Uma sinopse sobre o livro na Amazon diz que a autora expõe como seu tio “se tornou o homem que agora ameaça a saúde, a segurança econômica e o tecido social do mundo”.

“Ela explica como eventos específicos e padrões familiares criaram o homem danificado que atualmente ocupa o Salão Oval da Casa Branca, incluindo o relacionamento estranho e prejudicial entre Fred Trump e seus dois filhos mais velhos, Fred Jr e Donald”, continua.

Segundo a sinopse, a autora compartilha impressões como “testemunha em primeira mão de inúmeras refeições e interações familiares”.

O livro de memórias também acusará o presidente de ter “demitido e ridicularizado” seu pai quando ele começou a sofrer de Alzheimer.

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Donald Trump quando menino (à esq.) com os irmãos Fred, Elizabeth, Maryanne e Robert — Foto: Divulgação/BBC

Donald Trump quando menino (à esq.) com os irmãos Fred, Elizabeth, Maryanne e Robert — Foto: Divulgação/BBC

Discordâncias e processos

Mary Trump, de 55 anos, é filha de Fred Trump Jr, irmão mais velho do presidente, que morreu em 1981 aos 42 anos.

Ele lutou contra o alcoolismo por grande parte de sua vida e sua morte prematura foi causada por um ataque cardíaco ligado ao excesso de álcool.

Trump citou os problemas pessoais de seu irmão como um dos motivos por trás da luta de seu governo contra o consumo de opióides nos EUA. O uso irrestrito de opioides – analgésicos derivados da papoula, a flor usada para fazer ópio e heroína – provocou uma epidemia no país. Esses medicamentos são usados para alívio de sintomas e, sem acompanhamento médico, podem causar dependência.

Em uma entrevista no ano passado ao jornal americano “The Washington Post”, Trump disse que lamentou pressionar o irmão mais velho a ingressar no negócio imobiliário da família, enquanto ele sonhava em ser piloto.

Desde que seu tio se tornou presidente, Mary Trump manteve-se longe dos holofotes, embora tenha sido crítica a ele no passado.

O imbróglio familiar remonta há pelo menos 20 anos depois que ela e seu irmão ingressaram com uma ação contra o tio e os irmãos dele.

O processo se referia ao espólio do pai de Donald Trump, Fred Trump Sr.

Mary Trump e Fred Trump 3º reivindicavam uma parte da herança.

Os dois irmãos alegavam que o testamento de 1991 foi “obtido por fraude e influência indevida” por parte de Donald Trump e seus irmãos, já que o patriarca da família sofria de demência, segundo o tabloide americano “New York Daily News”.

Na ocasião, Mary Trump disse que sua tia e tios “deveriam ter vergonha de si mesmos”.

“Considerando essa família, seria totalmente ingênuo dizer que não tem nada a ver com dinheiro”, disse ela ao jornal.

Mary Trump e seu irmão entraram com outra ação depois que seu seguro médico fornecido pela empresa Trump foi cancelado em aparente retaliação pelo processo.

O caso foi resolvido e os detalhes não foram divulgados, segundo a imprensa americana.

De acordo com a revista americana People, documentos públicos mostram que Mary Lea Trump nasceu em maio de 1965 e vive em Long Island.

Outra reportagem, da revista americana Forbes, diz que ela obteve um diploma de bacharel em literatura inglesa pela Universidade Tufts, em Massachusetts, e um mestrado na mesma área pela Universidade de Columbia, em Nova York.

Ela também fez doutorado em psicologia clínica na Universidade Adelphi, em Nova York.

De acordo com um perfil excluído do LinkedIn, Mary Trump é uma coach de carreira certificada.

Em 2012, ela teria fundado uma empresa sediada em Nova York, a Trump Coaching Group.

Seu site diz: “Você está deprimido e se sentindo deprimido? Busca o verdadeiro significado de sua vida? Então, nossos life coaches podem tirá-lo dessa situação”.

Tuítes supostamente escritos por ela parecem mostrar sua insatisfação com a eleição do tio em 2016.

Um deles diz: “Esta é uma das piores noites da minha vida”.

Outro tuíte descreveu a rival derrotada do presidente, Hillary Clinton, como “um ser humano e servidora pública incrível”.

A biografia da conta do Twitter contém a hashtag Black Lives Matter e uma bandeira do orgulho gay.

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