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sexta-feira,6 agosto 2021

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    Japão condena americanos que ajudaram Carlos Ghosn a fugir


    Os Taylor receberam US$ 862,5 mil do brasileiro para preparar a operação e depois mais US$ 500 mil em bitcoins para pagar os gastos com advogados, segundo a investigação. Imagem de 30 de dezembro de 2019 mostra Michael L. Taylor (centro) e George-Antoine Zayek no controle de passaportes do Aeroporto de Istambul, na Turquia. Os americanos Michael Taylor e seu filho Peter Taylor são julgados em Tóquio nesta segunda-feira, 14 de junho de 2021, sob suspeita de ter ajudado o brasileiro Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan, a fugir do Japão para o Líbano em dezembro de 2019.
    DHA via AP
    Dois americanos foram condenados nesta segunda-feira (19) por um tribunal de Tóquio por terem ajudado o brasileiro Carlos Ghosn, ex-CEO da Renault e da Nissan, a fugir do Japão no fim de 2019.
    Michael Taylor, de 60 anos, foi condenado a dois anos de prisão e seu filho Peter Taylor, de 28 anos, a um ano e oito meses. Eles podiam ser sentenciados a até três anos.
    VEJA TAMBÉM: ‘Como escapei do Japão dentro de uma caixa’: as revelações do brasileiro Carlos Ghosn, ex-chefão da Renault e da Nissan
    Em junho, eles admitiram pela primeira vez ter ajudado na fuga. O libanês George-Antoine Zayek (foto acima), também é acusado pela promotoria japonesa, mas segue foragido.
    Os Taylor foram detidos pela Justiça americana em maio de 2020, com base em uma ordem de prisão japonesa, e extraditados em março deste ano. Eles chegaram a recorrer à Suprema Corte dos EUA para evitar a extradição, alegando que poderiam enfrentar condições similares à tortura no Japão.
    Michael é um veterano do exército americano e ex-membro das forças especiais do país.
    Fuga de Ghosn
    Carlos Ghosn, que comandou Nissan e Renault, conta à BBC como conseguiu fugir do Japão escondido dentro de uma caixa de instrumento musical
    Reuters
    Carlos Ghosn fugiu do Japão escondido em uma caixa de equipamento de som. Ele tem nacionalidade brasileira, libanesa e francesa e havia sido detido em 2018 em Tóquio por acusações de irregularidades financeiras.
    Ele estava em liberdade condicional e aguardava o julgamento quando conseguiu escapar das autoridades japonesas em 29 de dezembro de 2019 e embarcar em um avião privado para o Líbano, que não extradita seus cidadãos.
    Ele primeiro usou o Shinkansen, o trem de alta velocidade japonês, para ir de Tóquio a Osaka. Depois, evitou o controle alfandegário do aeroporto internacional de Kansai, pois na época a inspeção de bagagem não era obrigatória para passageiros de voos privados. O avião seguiu para Istambul, na Turquia, onde o ex-executivo da Nissan e da Renault embarcou em outra aeronave alugada e viajou até Beirute. Ele nega as acusações e diz que fugiu para se livrar da perseguição da Justiça japonesa.
    Veja, no vídeo abaixo, a 1ª vez que Carlos Ghosn falou sobre a fuga do Japão:
    Carlos Ghosn fala pela primeira vez após fuga para o Líbano
    O julgamento
    Os advogados dos Taylor haviam pedido que as condenações tivessem penas que pudessem ser substituídas por outras medidas de restrição.
    O argumento era que Ghosn tinha sido o mentor de toda a operação e que pai e filho já passaram dez meses em prisão provisória nos EUA, antes da extradição.
    Mas o juiz Hideo Nirei destacou nesta segunda que a fuga foi um “crime grave”, porque a perspectiva de ver Ghosn julgado no Japão praticamente não existe mais. “Os dois acusados conseguiram com êxito uma fuga ao exterior sem precedentes e tiveram um papel proativo nesta operação”, afirmou o juiz.
    Dinheiro como motivação
    Nirei disse ainda que pai e filho foram motivados pelo dinheiro, não porque Michael Taylor tem, por meio de sua esposa, relações distantes de parentesco com a família de Ghosn no Líbano.
    Os Taylor receberam US$ 862,5 mil de Ghosn para preparar a operação (mais de R$ 4,4 milhões na cotação atual) e depois mais US$ 500 mil em bitcoins para pagar os gastos com advogados (cerca de R$ 2,5 milhões), segundo a investigação.
    Outros réus e condenados
    Em fevereiro deste ano, três pessoas vinculadas à fuga foram condenadas a mais de quatro anos de prisão na Turquia (um funcionário de uma empresa de aviões e dois pilotos).
    Greg Kelly, ex-diretor jurídico da Nissan que foi detido no mesmo dia que Ghosn em novembro de 2018, é atualmente o único no banco dos réus no Japão. O americano de 64 anos pode ser condenado a até 10 anos de prisão.
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