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O diálogo que decidiria a data das próximas eleições na Bolívia fracassou, motivo pelo qual os protestos e bloqueios de avenidas continua no país andino, que vive uma crise política em meio à pandemia do novo coronavírus.

Apoiadores do ex-presidente Evo Morales protestam contra o adiamento da eleição em El Alto, na Bolívia, nesta terça-feira (28) — Foto: Aizar Raldes/AFP

Apoiadores do ex-presidente Evo Morales protestam contra o adiamento da eleição em El Alto, na Bolívia, nesta terça-feira (28) — Foto: Aizar Raldes/AFP

Iniciadas no sábado (8), a conversa decorreu até quase a meia-noite, e contaram com a mediação das Nações Unidas. O diálogo havia sido convocado pela presidente interina Jeanine Áñez diante das manifestações que surgiram após o terceiro adiamento das eleições.

Inicialmente, o processo eleitoral estava marcado para 3 de maio, mas a pandemia adiou as eleições para a primeira semana de agosto, depois para 6 de setembro com o consentimento do Congresso. Por fim, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) adiou novamente para 18 de outubro, mesmo que sem votação no parlamento.

Essas eleições surgem para substituir as eleições de outubro de 2019, anuladas por justificativa de “manipulação maliciosa”, segundo uma auditoria da OEA, o que gerou grandes protestos e a eventual renúncia do então presidente, Evo Morales (2006-2019), que concorria à reeleição pela quarta vez.

“A proposta foi clara: eleições em 6 de setembro. No extremo, (queríamos) chegar a um acordo sobre uma nova data (que não 18 de outubro), um meio-termo, mas eles não aceitam”, explicou Juan Carlos Huarachi, secretário-executivo da Central de Obras da Bolivia (COB).

Apoiadores do ex-presidente Evo Morales fazem protesto em El Alto, na Bolívia, nesta terça-feira (28) — Foto: Aizar Raldes/AFP

Apoiadores do ex-presidente Evo Morales fazem protesto em El Alto, na Bolívia, nesta terça-feira (28) — Foto: Aizar Raldes/AFP

Da mesma forma, ratificou a continuação dos protestos iniciados há uma semana com bloqueios das estradas em seis departamentos do país, apesar dos consequentes prejuízos econômicos e riscos à saúde, ao impedir a passagem de caminhões com suprimento de oxigênio para atendimento essencial de pacientes com o novo coronavírus, que até o momento já tem 90.000 casos e deixa mais de 3.500 mortos na Bolívia.

Em algumas áreas, ocorreram embates entre os que bloqueiam as estradas e alguns grupos rivais. A partir da escalada de tensões, as autoridades ameaçaram convocar as forças de segurança para intervir nos bloqueios.

O Movimento pelo Socialismo (MAS), de Morales, e grupos relacionados consideram que o último adiamento das eleições tem como objetivo único prejudicar seu candidato, Luis Arce, que lidera as pesquisas eleitorais. Uma delas, realizada pelo Centro Estratégico Latinoamericano de Geopolítica (CELAG), indica uma vitória em primeiro turno de Arce.

O ex-ministro Luis Arce e seu padrinho político, Evo Morales — Foto: Ronaldo Schemidt/AFP

O ex-ministro Luis Arce e seu padrinho político, Evo Morales — Foto: Ronaldo Schemidt/AFP

Por sua vez, o presidente do TSE, Salvador Romero, aprovou a data de 18 de outubro como “definitiva, imóvel e inadiável do processo eleitoral de 2020”.