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Ex-policial que matou a tiros Rayshard Brooks recebe 11 acusações nos EUA, incluindo homicídio culposo

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Imagem retirada de vídeo mostra Rayshard Brooks conversando com o então policial Garrett Rolfe, em 12 de maio, no estacionamento de lanchonete em Atlanta — Foto: Atlanta Police Department via AP

Imagem retirada de vídeo mostra Rayshard Brooks conversando com o então policial Garrett Rolfe, em 12 de maio, no estacionamento de lanchonete em Atlanta — Foto: Atlanta Police Department via AP

O ex-policial que matou a tiros Rayshard Brooks recebeu 11 acusações nesta quarta-feira (17), incluindo homicídio culposo (quando há intenção de matar). Se considerado culpado por esse item específico, Garrett Rolfe poderá ser condenado à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional ou à pena de morte.

As acusações foram anunciadas pelo procurador distrital do condado de Fulton, Paul Howard. Segundo ele, o ex-policial não tinha justificativa para atirar porque “no momento em que Brooks foi atingido, não representava ameaça imediata de morte ou ferimentos físicos graves para os policiais”.

Além disso, um vídeo revelou que o policial deu um chute em Brooks quando ele já estava no chão, sangrando, o que constitui um agravante. Isso “não reflete um sentimento de medo, mas outro tipo de emoção”, afirmou Howard.

Garrett Rolfe foi demitido depois de filmagens mostrarem ele atirando em Brooks, de 27 anos, várias vezes pelas costas, enquanto Brooks fugia.

O segundo policial que participou da ação, Devin Brosnan, foi colocado em serviço administrativo. O promotor Howard anunciou nesta quarta que Brosnan será uma testemunha do estado, embora tenha recebido três acusações, entre elas agressão com agravante.

Rolfe e Brosnan receberam um prazo até as 18 horas de quinta-feira para se entregarem. Como Brosnan irá cooperar no caso, ele poderá ter uma fiança estabelecida em US$ 50 mil. O promotor pediu ainda que seja negado o direto a fiança para Rolfe.

No dia em que Brooks morreu, Brosnan foi o primeiro a chegar ao local. Ele tentou acordar o jovem, que dormia e atrapalhava a fila dos demais clientes, e pediu reforço pelo rádio por não conseguir tirá-lo dali sozinho. Foi então que Rolfe atendeu ao chamado e se dirigiu à lanchonete.

Na última sexta-feira (12), a polícia de Atlanta foi chamada a uma lanchonete da rede Wendy’s devido a uma queixa de que um homem havia adormecido em seu carro e estaria bloqueando a pista do drive-thru.

Os vídeos das câmeras ligadas ao uniforme dos policiais que atenderam ao chamado mostram Brooks cooperando com os agentes por mais de 40 minutos, antes de se iniciar um confronto entre eles.

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O ex-policial Garrett Rolfe, acusado de matar a tiros Rayshard Brooks, em foto divulgada pela polícia de Atlanta — Foto: Atlanta Police Department via AP

O ex-policial Garrett Rolfe, acusado de matar a tiros Rayshard Brooks, em foto divulgada pela polícia de Atlanta — Foto: Atlanta Police Department via AP

Brooks manteve-se inicialmente calmo, confirmou que tinha bebido durante a festa de aniversário de sua filha e aceitou fazer um teste de bafômetro. Ele teria ainda pedido autorização aos agentes para deixar o carro no estacionamento e ir a pé até a casa da irmã, que vive nas proximidades.

Os agentes fizeram-lhe o teste para consumo de álcool, que resultou em 0,108% – acima do limite legal no estado da Geórgia. Os policiais tentaram algemá-lo, mas Brooks tentou fugir, e os três acabaram no chão, com os policiais ameaçando-o com um taser (arma que emite descarga elétrica) se ele resistisse.

Brooks acabou tomando o taser e começou a correr. Outro vídeo divulgado pela Agência de Investigação da Geórgia (GBI, na sigla em inglês) mostra o rapaz voltando-se para trás e apontando a arma de choque a um agente que o perseguia. O policial, que levava outro taser numa mão, pegou sua arma de fogo e disparou três vezes contra Brooks.

À emissora CNN, o procurador distrital do condado de Fulton, Paul Howard, que investiga o caso, afirmou que a primeira coisa que o policial disse após atirar é relevante para a investigação: “Ele não falou que salvou a própria vida. Ele disse: ‘Peguei ele’.”

L. Chris Stewart, advogado da família de Brooks, observou que a vítima foi atingida à distância, carregando uma arma que os policiais sabiam não ser letal, e não poderia ter simplesmente se livrado da polícia, já que os agentes estavam com sua carteira de motorista.

“Eles podiam facilmente ter esperado e o capturado mais tarde […] Foi simplesmente desnecessário [matá-lo]”, disse o advogado ao canal NBC na segunda-feira.

Outro advogado da família, Jason Miller, acrescentou que, segundo “várias testemunhas”, os policiais vestiram luvas e começaram a recolher as balas do chão antes de prestar os primeiros socorros à vítima. Brooks tinha três filhas, de 1, 2 e 8 anos, e um enteado de 13 anos, de acordo com o advogado.

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Restaurante Wendy’s, onde Rayshard Brooks foi morto por policial, é incendiado durante protesto no sábado (13), em Atlanta, Geórgia — Foto: Reuters/Elijah Nouvelage

Restaurante Wendy’s, onde Rayshard Brooks foi morto por policial, é incendiado durante protesto no sábado (13), em Atlanta, Geórgia — Foto: Reuters/Elijah Nouvelage

Segundo os legistas, Brooks foi atingido nas costas por dois tiros, que lhe provocaram danos em órgãos internos e perda de sangue.

A morte de Brooks levou a novos protestos contra a brutalidade policial contra negros ao longo do fim de semana nos EUA, na sequência da onda de manifestações desencadeada pela morte de George Floyd também durante ação policial em Minneapolis, em maio. O restaurante de fast food onde Brooks foi baleado chegou a ser incendiado por manifestantes no sábado.

PROTESTOS POR MORTE DE GEORGE FLOYD

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