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Homem observa passagem de patrulheiros militares em Macuto, na Venezuela, no domingo (3) — Foto: Manaure Quintero/Reuters

Homem observa passagem de patrulheiros militares em Macuto, na Venezuela, no domingo (3) — Foto: Manaure Quintero/Reuters

Dois americanos foram condenados a 20 anos de prisão na Venezuela, acusados de terrorismo, entre outros crimes, por uma incursão armada fracassada no país caribenho em maio passado, anunciou o procurador-geral, Tarek William Saab.

Luke Alexander Denman, de 34 anos, e Airan Berry, de 41, “admitiram ter cometido crimes” de “conspiração, associação (para delinquir), tráfico ilícito de armas de guerra e terrorismo”, e foram condenados a “uma pena de prisão de 20 anos”, escreveu Saab em uma rede social.

Imagem de documentos dos americanos condenados na Venezuela — Foto: Divulgação/Presidência da Venezuela/Via AP

Imagem de documentos dos americanos condenados na Venezuela — Foto: Divulgação/Presidência da Venezuela/Via AP

O funcionário postou nessa rede social fotos de veículos, armas e documentos de identidade.

Venezuela denuncia tentativa de invasão do país com participação de ex-militares dos EUA

Denman e Berry estão entre as dezenas de pessoas detidas por uma incursão armada ao longo da costa norte da Venezuela, com apoio dos Estados Unidos e da vizinha Colômbia, que o governo de Nicolás Maduro disse ter frustrado em 3 de maio, com saldo de oito mortos.

O plano, segundo o governo Maduro, visava a “captura, detenção e remoção” do líder socialista e a “instalação” de Juan Guaidó, líder parlamentar da oposição reconhecido como presidente da Venezuela por cinquenta países, incluindo os Estados Unidos.

Washington e Bogotá negaram qualquer participação no evento.

Sem advogados próprios

O advogado Alonso Medina Roa, que afirmou ter procuração dos familiares dos americanos para representá-los, denunciou a violação do direito de defesa.

Medina Roa comentou à AFP que as autoridades “não o aceitaram” como defensor, e por isso não o permitiram entrar na audiência na noite de sexta-feira.

Após a prisão, Denman e Berry foram identificados por Maduro como “membros da segurança” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegação negada veementemente por Washington.

Guaidó foi acusado de ter contratado “mercenários” com fundos bloqueados a partir das sanções da Casa Branca contra a Venezuela e sua petroleira estatal PDVSA.

O governo de Maduro afirma que o líder parlamentar da oposição assinou um contrato com uma empresa privada de segurança e defesa, a Silvercorp USA.

De acordo com a acusação, Derman e Berry pertenciam a essa empresa, fundada pelo soldado americano aposentado Jordan Goudreau, um ex-boina verde (Forças Especiais dos Estados Unidos).

Um assessor de Guaidó, que posteriormente renunciou, reconheceu em entrevista à CNN ter assinado um contrato com a Silvercorp, mas garantiu que se tratava de um acordo “exploratório”, e que uma operação na Venezuela não havia sido autorizada.

O assessor desvinculou do acordo o líder parlamentar da oposição.

Ao anunciar no último 8 de maio que Denman e Berry foram acusados de terrorismo, o procurador-geral, da linha pró-governo, disse ter solicitado um mandado de prisão internacional contra Goudreau.

Dois dias antes da acusação, o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, declarou que o governo de Donald Trump faria todo o possível para repatriar os dois americanos presos na Venezuela.

“Usaremos todas as ferramentas de que dispomos para tentar trazê-los de volta”, ressaltou Pompeo a repórteres.