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Crítica: o que acontece com Wasp Network: Rede de Espiões?

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Lançado nesta sexta-feira (19) no streaming da NetflixWasp Network: Rede de Espiões é um filme que encanta logo na imagem de abertura pela concentração de talentos que apresenta. Seu diretor é o festejado francês Olivier Assayas, que foi indicado à Palma de Ouro em Cannes pelo filme Personal Shopper, com Kristen Stewart.

O elenco é uma verdadeira “seleção” latina: Wagner Moura, do Brasil, a espanhola Penélope Cruz, o mexicano Gael Garcia Bernal, o argentino Leonardo Sbaraglia, a cubana Ana de Armas e o venezuelano Édgar Ramirez, que estreou o recente The Last Days of American Crime, outro filme de ação na Netflix.

Assayas também assina o roteiro, baseado numa história real que parece de cinema: nos anos 90, espiões cubanos se infiltraram na FNCA, um grupo dissidente contrário a Fidel Castro apoiado pelo governo norte-americano, para obter informações que evitassem ataques terroristas na ilha.

A história segue a família do piloto-instrutor René (Assayas), sua esposa Olga (Penélope Cruz) e sua filha Irma (Osdeymi Pastrana Miranda). René sequestra um avião cubano e deserta para a América. Com ele, foge também Juan Pablo (Wagner Moura) e ambos se tornam pilotos da FNCA (Fundação Nacional Cubano-Americana).

Empenhados em trazer mais desertores e promover a decadência do regime de Castro, os dois homens sobem na hierarquia da FNCA. Juan Pablo adota um estilo de vida suntuoso e acaba se casando com a belíssima Ana Margarita (Ana de Armas).

Fonte: Netflix/Divulgação Netflix/Divulgação

Wasp Network, novo filme da Netflix de 2020, não é o mesmo de Cannes

Meio que de repente, na história de René e Juan Pablo, surgem dois terroristas: Luis Posada Carriles (Tony Plano) e Gerardo Hernandes (Gael García Bernal), diretor da Wasp Network. René percebe os interesses escusos da FNCA quando a CIA entra em ação, transformando o roteiro numa história de espionagem.

Porém, o filme de espionagem da Netflix não segue como uma trama de espiões. Ocorre uma mudança de rumo através de uma narração em off que não combina com o ritmo da história. É como se algumas cenas tivessem sido apagadas e o diretor necessitasse explicá-las aos espectadores.

A impressão que se tem é de que o filme foi editado às pressas, ou nem isso, tal a forma descuidada com a qual os eventos são “costurados”. Enquanto a ação transita entre Cuba e Miami, não há qualquer alusão à tal Wasp Network até a segunda metade do filme.

A narrativa é meio dispersa durante os oitos anos nos quais a história é contada. Alguns personagens são “esquecidos” e surgem depois de maneira, às vezes, abrupta, como na cena em que a Wasp Network é revelada.

O filme da Netflix é diferente daquele exibido em Cannes, pois Assayas reconheceu ter feito cortes diferentes para dar maior fluidez às cenas. Mas o resultado parece não ter funcionado, pois a resolução da história não passa nenhuma credibilidade e a única emoção, se existe, é puro tédio.

Texto escrito por Jorge Marin via Nexperts.

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