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A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, discursa após sua reeleição, no domingo (28) — Foto: Joel Saget/AFP

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, discursa após sua reeleição, no domingo (28) — Foto: Joel Saget/AFP

A socialista Anne Hidalgo, filha de imigrantes espanhóis, conquistou neste domingo (28) um segundo mandato à frente da prefeitura de Paris, após galgar, passo a passo, a estrutura do partido, apesar de ouvir quando criança que sua origem espanhola a frearia para sempre.

Segundo as primeiras estimativas, Hidalgo venceu o segundo turno das municipais deste domingo com cerca de 50% dos votos, muito à frente da candidata da direita, Rachida Dati (32%), e da governista, Agnès Buzyn (16%).

Hidalgo, de 61 anos, ficará mais seis anos à frente da prefeitura de Paris, cidade de mais de dois milhões de habitantes, epicentro do poder na França e uma das cidades mais visitadas do mundo.

Seu programa, centrado na ecologia, visa a continuar reduzindo o espaço dos carros na capital francesa, onde os engarrafamentos são a regra, e incentivar os deslocamentos de bicicleta ou a pé.

“Elegeram uma Paris que respira, uma Paris mais agradável para se viver, uma cidade mais solidária que não deixa ninguém à margem (…) Esta vitória faz sentido porque é coletiva”, disse Hidalgo, após sua vitória.

Esta orientação política lhe permitiu obter o apoio dos ecologistas entre os dois turnos das eleições municipais. No entanto, muitos parisienses se queixam de uma piora da insalubridade nas ruas de Paris e da proliferação de ratos durante seu mandato.

Ao lado de Claudia López, prefeita de Bogotá; de Claudia Sheinbaum, à frente da Cidade do México; ou de Marianne Borgen em Oslo, ela revalida seu cargo no seleto grupo de mulheres que chefiam as capitais de seus respectivos países.

‘Minha ambição é Paris’

Anne Hidalgo nasceu em 1959 perto de Cádiz, na Andaluzia, filha de pai eletricista e mãe costureira. Dois anos depois, a família emigrou para a França em busca de um futuro melhor.

A pequena Ana passou, então, a se chamar Anne e obteve a nacionalidade francesa aos 14 anos.

“Lembro que um dia minha professora do segundo grau disse, me olhando, ‘Não são as meninas espanholas que se tornarão as primeiras da classe’. Isso só me fez querer aceitar o desafio”, contou Hidalgo ao jornal “Le Parisien”.

Neta de um republicano condenado à morte pelo ditador espanhol Francisco Franco, orgulhosa de suas raízes andaluzas, começou trabalhando como inspetora de trabalho, antes de dar o grande salto para a política.

Em 2001, tornou-se a primeira vice do anterior prefeito de Paris, o socialista Bertrand Delanoë, um cargo que ocupou até se candidatar, em 2014, à Prefeitura de uma das cidades mais visitadas do mundo. Venceu o pleito com 55% dos votos.

Seu mandato na prefeitura de Paris começou com um batismo de fogo: os ataques jihadistas ao jornal satírico Charlie Hebdo e os atentados em série na casa de shows Bataclan e em vários pontos da capital francesa, em 2015.

A estas tragédias se somou, no ano passado, o incêndio voraz na catedral de Notre Dame, que destruiu parcialmente este símbolo da Cidade-luz.

“Em tempos de tempestade, é melhor ter no comando um capitão que saiba navegar”, disse em entrevista à AFP dias antes do primeiro turno, na qual destacou sua “experiência” no comando da capital francesa.

Será que o segundo mandato lhe servirá como um salto para funções mais elevadas, como foi o caso de Jacques Chirac, que foi prefeito de Paris antes de se tornar presidente da França?

“Não serei candidata em 2022. Minha ambição é Paris. Ser prefeita de Paris é o melhor mandato”, disse ao jornal “Le Parisien”.

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