Brasil Viuvez aos 30, aneurisma cerebral, perda de 2 filhos e uma das mais longas carreiras políticas dos EUA: conheça a história de Joe Biden

Viuvez aos 30, aneurisma cerebral, perda de 2 filhos e uma das mais longas carreiras políticas dos EUA: conheça a história de Joe Biden

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Joe Biden será nomeado oficialmente candidato na convenção do Partido Democrata esta semana. Conheça sua trajetória, de um dos senadores mais jovens dos EUA a vice-presidente de Barack Obama e, agora, o nome que tentará derrotar Donald Trump. Joe Biden com seus filhos Beuau e Hunter e sua segunda mulher, Jill, nos anos 1970
Reprodução/Site de Joe Biden/Via AFP
Joe Biden, o candidato de 77 anos do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, tinha 29 quando foi eleito para o Senado do país pela primeira vez. Ele venceu as eleições no estado de Delaware em 1972 –foi uma das pessoas mais jovens a se tornar senador nos Estados Unidos.
Uma noite em dezembro daquele ano, antes de ele assumir o cargo, sua mulher se envolveu em um acidente de carro em Delaware. Os filhos do casal estavam no carro. Biden perdeu a esposa e a filha mais nova, de 18 meses.
Ele já disse que pensou em não assumir o posto, mas no fim decidiu que iria mesmo ser senador e foi empossado no quarto de hospital onde um de seus filhos estava internado. Durante décadas, viajou diariamente de trem entre Washington DC e Delaware para estar com os filhos à noite — ganhou um apelido, Amtrak Joe, por causa desse rotina (Amtrak é o nome da empresa de trem).
Joe Biden, que foi vice de Barack Obama, anuncia pré-candidatura à presidência dos EUA
Ele só deixou o Senado em 2017, depois da vitória de Donald Trump –nos EUA, o vice-presidente é também o presidente do Senado.
Esta semana, ele será oficializado como candidato democrata na convenção nacional do partido, na qual já não tem mais concorrentes (leia mais abaixo).
Imagem de arquivo de Biden durante uma de suas campanhas para senador do estado de Delaware
Reprodução/Site da campanha
Biden, nascido em 1942 na Pennsylvania, em uma família católica (os EUA são de maioria protestante), se casou de novo em 1977, com Jill Tracy Jacobs, e teve outras crianças. Ele precisou enfrentar uma segunda tragédia pessoal. Beau Biden, seu filho mais velho, foi diagnosticado com um tumor cerebral em 2013 e morreu dois anos depois.
Beau foi amigo próximo da senadora Kamala Harris, a candidata a vice na chapa de Joe Biden.
Um começo difícil
Harris foi derrotada por Biden nas primárias do Partido Democrata de 2020. Além dela, outras 29 pessoas postularam a nomeação e não a conseguiram.
Biden teve um começo de campanha ruim: nas três primeiras rodadas, conseguiu, no máximo, um segundo lugar distante do primeiro colocado.
Pete Buttigieg, Bernie Sanders, Elizabeth Warren e Joe Biden foram alguns dos democratas que participaram das prévias de 2020
Brendan McDermid/Reuters, Chip Somodevilla/Getty Images North America/AFP e Rick Wilking/Reuters As primárias começaram a ser favoráveis a ele no estado da Carolina do Sul. Biden ficou em primeiro, bem à frente dos demais pré-candidatos. A partir desse momento, o número de pré-candidatos diminuiu até que ficaram somente ele e Bernie Sanders, que também desistiu e declarou apoio.
A Carolina do Sul, onde começou a virada, é um estado onde o eleitorado negro tem uma representação significativa, e Biden é associado a Barack Obama, de quem foi vice-presidente.
Barack Obama em cena
Quando Obama venceu as primárias em 2008, ele não tinha experiência em política externa. Fazia sentido nomear um vice que pudesse trazer isso à chapa.
Durante suas décadas no Senado, Biden se notabilizou por fazer parte de comitês de política externa. Ele é visto até hoje como um político com um bom conhecimento de temas internacionais.
Michelle e Barack Obama com Joe Biden no dia da primeira posse de Obama, em 2009
Divulgação/Biblioteca do Congresso dos EUA
Obama era um “senador júnior” em 2008 e venceu outros pré-candidatos com mais tradição, como o próprio Biden e também Hillary Clinton. Para Obama, fazia sentido ter como companheiro de chapa um político experiente e com tradição no Partido Democrata –novamente, Biden se encaixa no perfil.
O atual candidato democrata também sempre visto como um moderado dentro do partido. A revista The Economist fez um levantamento sobre seu histórico de votações com base no espectro esquerda e direita, e Biden está praticamente no centro.
Depois de passar pelo escrutínio de Obama, Biden, no entanto, não aceitou de cara. Dada a pouca experiência do então candidato, ele tinha receio do que poderia acontecer com o “Biden brand” (a marca Biden, em tradução literal), de acordo com o livro “Game Change”, dos jornalistas John Heilemann e Mark Halperin. Ele aceitou, e se tornou um vice leal e próximo ao presidente, um “obamista”.
Obama e Biden têm estilos diferentes e complementares, de acordo com reportagens da mídia americana. O ex-presidente, formado em direito em Harvard, é tido como um homem aplicado, estudioso, inteligente e sagaz. Biden também estudou direito, mas em uma universidade de pouco prestígio, Syracuse, e é um político clássico, que dialoga muito, se esforça para negociar com adversários.
Os dois tinham almoços semanais durante os oito anos de Obama na presidência. As famílias dos dois políticos se aproximaram e são amigas. Durante seu período como vice, ele foi especialmente importante em dois momentos.
Um deles foi a aprovação do estímulo fiscal de 2009 (na prática, os EUA passaram a injetar dinheiro na economia por um processo de nome “quantitative easing”). O outro foi resolver a crise de orçamento de 2013. Foi Biden quem negociou com os republicanos para que os parlamentares aprovassem a regra que permitia que o país pudesse se endividar –por razões de regimento, isso era uma grave ameaça ao governo, que poderia simplesmente ser impedido de funcionar.
Nos dois momentos, ele usou sua experiência de senador mais experiente da Casa para conseguir vitórias para o governo.
Barack Obama entrega a Medalha da Liberdade ao vice-presidente Joe Biden durante cerimônia na Casa Branca, em Washington, em 2017 Reuters/Yuri Gripas
Seus longos anos de Senado também o ajudaram a chegar à nomeação, mas houve dois episódios que são considerados controversos.
Anita Hill
Em 1991, o presidente dos EUA, George H.W. Bush, apontou Clarence Thomas, um juiz negro, para a Suprema Corte do país. Antes de ele ser confirmado pelo Congresso americano, surgiu uma denúncia de assédio sexual de uma advogada chamada Anita Hill.
Hill foi ouvida por um comitê de parlamentares presidido por Biden. A audiência é considerada um momento histórico polêmico porque os senadores questionaram Hill de forma agressiva, colocando em xeque a intenção dela –um senador afirmou que Hill havia se inspirado no livro “O Exorcista” ao relatar os incidentes de assédio sexual.
Biden teria deixado de convocar testemunhas favoráveis a Hill e pediu para ela relatar um incidente de assédio mais de uma vez, sem nenhum objetivo.
Joe Biden dá entrevista em 1994
Divulgação/Biblioteca do Congresso
Pouco antes de lançar a candidatura em 2020, Biden telefonou para Hill. Ele afirmou à advogada que se sente mal pelo que aconteceu em 1991, mas não se considerava o responsável.
Durante décadas, o próprio Biden foi criticado por abraçar, beijar e ter proximidade física com mulheres, algumas delas que ele mal conhecia.
A ex-deputada pelo estado de Nevada Lucy Flores, por exemplo, ficou incomodada quando Biden lhe deu um “beijo grande e lento” na cabeça enquanto ela esperava para falar num comício realizado há seis anos. “Para mim, a política sempre foi ter conexões, mas terei mais consciência em respeitar o espaço pessoal no futuro. Esta é a minha responsabilidade e vou fazer isto”, prometeu Biden no ano passado.
A cruzada contra a integração pelos ônibus
Nos EUA, as cidades são divididas em bairros onde os moradores têm predominantemente uma raça. Para integrar mais as sociedades, foi implementada uma política conhecida como “busing” (levar de ônibus). Algumas crianças de bairros majoritariamente negros iam estudar em escolas que ficavam em bairros de brancos, e vice-versa.
Uma parcela da população branca não aprovava a política, e, nos anos 1970, Biden se opôs à integração com os ônibus também.
Essa foi uma crítica que Kamala Harris, a vice na chapa, fez a ele durante um debate durante as primárias. Ela foi uma das beneficiadas pela política nos anos 1970, já que era uma menina preta e indiana.
Biden respondeu que não se opunha à política em si, mas, sim, ao fato de ela ser feita por uma ordem judicial.
Aneurismas e operação no cérebro
O atual candidato já havia participado de outras primárias para a nomeação do Partido Democrata. A primeira vez foi no fim dos anos 1980. Ele desistiu da candidatura depois de um escândalo em que ficou claro que ele havia plagiado um discurso de um político inglês.
Pouco tempo depois de desistir, ele descobriu que tinha dois aneurismas cerebrais severos. Ele foi operado no cérebro. Como piada, ele costuma dizer que seus problemas durante a campanha durante as primárias em 1988 foram causados pela doença.
Imagem da Biblioteca do Congresso de Joe Biden no dia 11 de setembro de 2001; na época, ele era um dos senadores do comitê de política externa
Divulgação/Biblioteca do Congresso Americano
A segunda foi em 2008, quando ele teve resultados muito ruins e desistiu rapidamente –foi quando Obama conquistou a nomeação e também a eleição.
No fim dos anos Obama, ele chegou a ponderar se deveria se candidatar. No entanto, ele ficou com receio de enfrentar os Clinton, que já tinham o apoio de Obama. Além disso, a morte de Beau Biden era muito recente. De acordo com uma reportagem do “Financial Times”, Biden chorava sempre que se lembrava do segundo filho que perdeu.
O outro filho e o impeachment de Trump
Hunter Biden é o único filho vivo do primeiro casamento. Ele foi expulso da Marinha dos EUA porque um exame detectou que ele havia usado cocaína e fundou empresas quando o pai era vice-presidente do país.
Donald Trump e Joe Biden disputam eleições nos EUA
Saul Loeb, Ronda Churchill/AFP
Ele se tornou membro do conselho de administração de uma empresa da Ucrânia.
Donald Trump pressionou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para que o país investigasse os Biden.
Trump foi acusado e condenado pelos deputados por ter usado o auxílio militar dos EUA em troca da investigação –durante o processo de impeachment, usou-se a expressão latina Quid pro quo, ou seja, na prática, Trump teria vinculado o auxílio militar à Ucrânia a uma possibilidade de abertura de investigação contra Hunter Biden.
O Senado, de maioria republicana, absolveu Trump no dia 5 de fevereiro, quando as primárias para a nomeação do Partido Democrata já aconteciam.
A volta de Obama
Na prática, as primárias acabaram quando o senador Bernie Sanders desistiu de concorrer, no início de abril. Sanders foi mais combativo e demorou mais para abandonar a candidatura em 2016, quando Hillary Clinton foi a nomeada.
O site Politico ouviu um ex-assessor de Clinton que afirmou que a habilidade de Biden para cultivar relações pessoais lhe rendeu um benefício. Para Sanders, Biden era uma das poucas pessoas que o levavam a sério antes de 2016. Ele não insistiu tanto como fez contra Hillary.
Obama se manteve distante durante as primárias, mas, desde então, tem se dedicado a ajudar a campanha, especialmente em um dos pontos nos quais os democratas perdem de Trump: arrecadação de dinheiro.
Joe Biden e Kamala Harris em foto publicada pelo candidato democrata a presidente nesta terça-feira (11), dia em que ele anunciou o nome da senadora como candidata a vice pela mesma chapa
Reprodução/Twitter
O ex-presidente afirmou ter ficado satisfeito com a escolha de Kamala Harris –ele disse que Biden acertou em cheio.
Em uma rede social, Obama complementou: “Agora, vamos lá ganhar esse negócio”.
Biden e Donald Trump se atacam verbalmente com frequência. O candidato democrata já disse que se os dois estivessem no colégio, iria brigar fisicamente com o atual presidente.
Trump costuma chamar Biden de “Sleepy Joe” (a tradução literal é Joe sonolento, mas o sentido é mais algo como Joe Lento).
O primeiro debate entre eles está marcado para o dia 29 de setembro.

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