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Steve Bannon: da articulação conservadora internacional à prisão, veja trajetória do ex-estrategista de Trump

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Ex-produtor de Hollywood se firmou nos bastidores da política conservadora como editor do site Breitbart News e também tentou lançar movimento para eleger líderes populistas e de direita na Europa. Steve Bannon, ex-estrategista-chefe da Casa Branca da gestão de Donald Trump, durante sessão de fotos em Paris. Foto de maio de 2019
Joel Saget/AFP/Arquivo
Steve Bannon foi preso nesta quinta-feira (20) sob a acusação de desviar dinheiro de uma campanha de apoio à construção de um muro entre os Estados Unidos e o México e liberado sob fiança.
Bannon foi o estrategista chefe da campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e é considerado um dos arquitetos de sua vitória em 2016, mas também atuou como conselheiro de líderes conservadores de outros países e é criador do grupo The Movement, que tem representantes no mundo todo (leia mais abaixo).
Quando jovem, passou quatro anos na Marinha, depois de estudar em uma escola militar preparatória, e obteve um MBA na Universidade de Harvard. Sua primeira carreira foi na área de investimentos, onde trabalhou na Goldman Sachs.
Mais tarde, mudou para o ramo de financiamento de mídia, e foi um dos responsáveis pelo lançamento da série de comédia “Seinfeld”. Bannon também trabalhou em Hollywood, e tem em seu currículo 18 títulos como produtor e nove como diretor, incluindo documentários sobre o ex-presidente Ronald Reagan e a ex-candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin. Seu envolvimento com conservadores e com os bastidores da política ganhou impulso quando se uniu a Andrew Breitbart, um empresário disposto a criar um site de mídia “pró-liberal”. Após a morte de Breitbart, em 2012, Bannon assumiu a chefia do Breitbart News, um canal que foi considerado racista e antissemita, mas que ele descrevia como “a plataforma da direita alternativa”.
Donald Trump e Steve Bannon, em foto de janeiro de 2017
Mandel Ngan/AFP/Arquivo
Conhecido por Trump desde 2010, ele assumiu a chefia de sua campanha em agosto de 2016, e, após a vitória nas eleições, ganhou o cargo de estrategista chefe do governo. Em agosto de 2017, no entanto, ele deixou a Casa Branca, entre acusações de antissemitismo e defesa de supremacistas brancos. Nos bastidores, porém, a versão é de que ele teria criado inúmeros atritos com outros assessores de alto escalão, especialmente Jared Kushner, genro de Trump. Além disso, o próprio presidente teria se cansado da atenção dispensada a Bannon pela imprensa, que atribuía a ele o crédito pela vitória nas eleições, e pelas suspeitas de que ele vazaria informações da Casa Branca. Ele então voltou ao Breitbart News, onde continuou defendendo Trump e atacando seus oponentes, mas logo mostrou discordâncias, criticando, por exemplo, a demissão do diretor do FBI, James Comey, o que chamou de “o maior erro da história política moderna”. Para piorar, disse que a reunião entre Donald Trump Jr. e um grupo de russos, citada no processo de impeachment do presidente, havia sido “traiçoeiro”. Irritado, Trump emitiu um comunicado no qual disse que “Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com minha presidência. Quando foi demitido, não apenas perdeu seu emprego, perdeu sua lucidez”. A briga acabou custando a Bannon o trabalho, já que seu site perdeu financiadores, incluindo a maior deles, Rebekah Mercer. O fato foi celebrado por Trump com um apelido para o ex-amigo: “A família Mercer recentemente despediu o vazador (de informações) conhecidos como Steve Bannon Desleixado. Espertos!”, escreveu em uma rede social. No ano passado, porém, os dois já pareciam ter feito as pazes, e Trump voltou a elogiar Bannon, a quem descreveu como “um de meus melhores pupilos” e “ainda um enorme fã de Trump”.
Nesta quinta, ao ser informado da prisão de Bannon, o presidente disse que se sentia “muito mal” por ele. The Movement
Ex-assessor de Trump, Steve Bannon, é aplaudido por Marine Le Pen, durante Congresso do partido Frente Nacional em Lille, na França
Pascal Rossignol/Reuters
O grupo The Movement foi criado por Bannon com a proposta de eleger líderes de direita na Europa e obter assentos no Parlamento Europeu. Ele chegou a manter conversas com políticos populistas e de direita como Viktor Orbán, da Hungria, Matteo Salvini, da Itália, e representantes de Geert Wilders, da Holanda, e Marine Le Pen, da França, mas o movimento não chegou a ganhar força no continente. No Brasil, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) disse em uma rede social, em janeiro de 2019, que Bannon o havia escolhido para liderar o movimento na região. “Satisfação em ser o líder do The Movement para América Latina ao lado de Steve Bannon”, escreveu Eduardo na legenda de uma imagem em que aparece abraçado a Bannon. Eduardo Bolsonaro e Steve Bannon em foto divulgada em agosto de 2018
Reprodução/Twitter/Eduardo Bolsonaro
Em março daquele ano, Bannon encontrou-se com o presidente Bolsonaro em um evento na embaixada do Brasil nos EUA definido pelo Palácio do Planalto como “jantar com formadores de opinião”, em Washington. Bannon sentou-se do lado esquerdo de Bolsonaro – à direita estava o escritor Olavo de Carvalho.

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