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Máscara com grafismos gera renda para comunidade indígena do AM: “Estamos resistindo de novo”, diz líder de associação

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A máscara contra o coronavírus virou um símbolo de resistência e sobrevivência para um grupo de mulheres indígenas. Elas contaram com ajuda internacional para dar início ao negócio. A pandemia do coronavírus tirou o sustento das artesãs da etnia Sateré Mawé, originária do baixo Rio Amazonas, que se organizaram em Manaus em uma associação de mulheres indígenas. Seis famílias viviam da venda de colares, brincos e pulseiras, feitos de sementes, madeiras e penas em eventos e no comércio.
“Com a pandemia, esses espaços fecharam e nós ficamos a mercê. Nós não tínhamos de onde tirar nossa fonte de renda, que era só do artesanato”, conta Samela Marteninghi, representante da Associação de Mulheres Sateré Mawé.
Os povos indígenas são muito vulneráveis à Covid-19 e Manaus e região foram duramente atingidos pela doença. Sem renda, elas não tinham como comprar máscaras e itens de higiene básica. Tudo mudou quando o Artists Project Earth, um projeto de apoio a causas ambientais, sediado na Inglaterra, ofereceu ajuda. “Compramos dois meses de produção de artesanato e depois surgiu a ideia de utilizar todas as habilidades manuais das mulheres indígenas da associação pra começar a fazer máscaras”, explica May East, diretora do projeto.
Mulheres indígenas recuperam renda com a produção de máscaras estilizadas
Reprodução TV Globo
Os ingleses doaram duas máquinas de costura e tecidos, que foram logo usados. O negócio prosperou quando as mulheres perceberam que poderiam usar a própria arte para dar um salto nas vendas. Os povos indígenas têm o hábito de pintar o corpo em situações especiais como festas, casamentos ou para o combate. São usados grafismos, inspirados em traços da floresta, de animais ou da aldeia.
Quando as mulheres indígenas começaram a usar esses grafismos para pintar as máscaras, passaram a receber muitos pedidos. Enquanto o produto sem estampa é vendido por R$ 5, a mesma peça com o grafismo custa R$ 20. De março pra cá, elas já venderam mais de dez mil máscaras pra todo o Brasil. Atualmente, a associação de mulheres está faturando o dobro do que antes da pandemia.
“Além da proteção, é uma forma de mostrar que nós estamos resistindo de novo. Porque nós resistimos há mais de 520 anos e agora nos reinventamos e colocamos o nosso grafismo na nossa máscara pra falar: ‘estamos resistindo, sem deixar nossa cultura, nossas características, nossa identidade de lado’. Tenho esperança de que isso vai passar, de que nós vamos sobreviver e de que meu povo vai sobreviver e que outros povos indígenas também”, completa Samela.
Veja a reportagem completa:
Mulheres indígenas recuperam renda com venda de máscaras estilizadas

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