Brasil Grupos rivais na Líbia anunciam cessar-fogo e novas eleições

Grupos rivais na Líbia anunciam cessar-fogo e novas eleições

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Apoiadores dos dois lados esperam que acordo ponha fim a instabilidade e confrontos no país africano, que já duram nove anos, desde a morte de Muammar Khadafi. Fayez Sarraj, chefe do governo da Líbia reconhecido pela ONU, participa de conferência de imprensa na Turquia em 4 de junho
Turkish Presidency via AP, Pool
Os dois grupos rivais que disputam o poder na Líbia anunciaram, nesta sexta-feira (21), o fim dos combates em todo o território e a organização de eleições num futuro breve. O país no norte da África vive conflito entre o governo apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e um parlamento liderado pelo marechal Khalifa Haftar.
Tal anúncio considerado surpreendente vem após visitas de dirigentes europeus à Líbia nas últimas semanas. É o primeiro acordo político desde 2015, quando a ONU apoiou a criação do Governo de União Nacional (GNA) na primeira tentativa de por fim aos conflitos no país.
Desde a queda do regime de Muammar Kadhafi em 2011, a Líbia, que conta com as maiores reservas de petróleo da África, está mergulhada em conflitos e em disputa por influência entre duas autoridades rivais: o GNA, baseado em Trípoli e reconhecido pela ONU
e um poder personificado no marechal Khalifa Haftar, homem forte do leste do país que conta com o apoio de parte do Parlamento eleito e em particular do seu presidente, Aguila Saleh.
Em um comunicado, Fayez al-Sarraj, líder do GNA, pediu a organizações “de eleições presidenciais e parlamentares em março do próximo ano, tendo uma base constitucional resultante do consenso de todos os líbios”.
Após mais de um ano de combates mortais, Sarraj ordenou “a todas as forças armadas o cessar-fogo imediato e de todas as operações de combate em todo o território líbio”.
Por sua vez, Aguila Saleh anunciou, em um comunicado distinto, a organização de eleições, sem mencionar uma data. Ele pediu também que todas as partes respeitem “um cessar-fogo imediato e acabem com todos os combates em território líbio”.
Eleições difíceis
Aeroporto de Trípoli, em Mitiga, tem sido alvo de ações das forças que disputam poder na Líbia. Foto de outubro de 2019
Mahmud Turkia/AFP
O cessar-fogo permitirá, segundo o GNA, criar zonas desmilitarizadas em Sirte (norte) e na região de Jufra, mais ao sul, atualmente sob o controle dos homens do marechal Haftar.
Já a oposição não menciona a desmilitarização de Sirte e Al Jufra, mas propõe instalar um novo governo no lugar do GNA e baseado em Sirte, cidade natal de Kadhafi e ex-reduto do grupo terrorista Estado Islâmico, que foi expulso de lá em 2016.
Dificuldades políticas
Na prática, seria difícil celebrar eleições pluralistas e em um clima sereno, avalia Khalel Harchaoui, pesquisador do Instituto Clingendael de Haia.
A questão é se os anúncios dos grupos rivais serão “plenamente realizáveis (…) Com toda a probabilidade, a aplicação será difícil”, acrescentou.
O GNA, apoiado pela Turquia, conseguiu repelir uma ofensiva do marechal Haftar lançada em abril de 2019 contra Trípoli, e apoiada por Egito, Arábia Saudita e Rússia. Com isso, o grupo retomou o controle de todo o noroeste do país em junho.
Então, depois do fracasso, soldados aliados de Haftar se deslocaram para Sirte, cidade costeira 450 km a leste de Trípoli, onde Kadhafi nasceu, fechando a passagem às principais jazidas petrolíferas do país e à base aérea militar de Al Jufra.
Reação internacional
Após a divulgação dos comunicados, o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, cujo país considerou enviar tropas para a vizinha Líbia, saudou o anúncio das autoridades rivais. “Saúdo as declarações do Conselho Presidencial da Líbia e da Câmara dos Representantes pedindo um cessar-fogo e o fim das operações militares em todo o território líbio”, disse al-Sisi no Twitter.
Por sua vez, a Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (Manul) acolheu “calorosamente o entendimento” expresso nos comunicados de al Sarraj e Saleh, que pedem o cessar-fogo e a retomada do processo político”.
O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrel, considerou “crucial que todas as partes se atenham a suas declarações”, enquanto o Catar comemorou a “retomada do processo político”.
RELEMBRE ABAIXO: Governos de diversos países se reuniram para discutir situação da Líbia, em janeiro
Potências chegam a um acordo para cessar guerra civil na Líbia

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