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quinta-feira,5 agosto 2021

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    Em carta, grupo pede a embaixadores que se posicionem contra nomeação de Weintraub ao Banco Mundial

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    Abraham Weintraub — Foto: Jornal Nacional

    Abraham Weintraub — Foto: Jornal Nacional

    Uma carta assinada por 15 associações e mais de 130 personalidades de diversas áreas pede a embaixadores de oito países no Brasil que se posicionem contra a indicação de Abraham Weintraub, ministro demissionário da Educação, a um dos cargos de diretor do Banco Mundial.

    A instituição confirmou que o governo brasileiro indicou Weintraub ao posto no dia seguinte ao anúncio da saída do ministro. Porém, o nome dele deverá ser referendado pelos representantes de oito países que integram o grupo do qual o Brasil faz parte: Colômbia, Filipinas, Equador, República Dominicana, Haiti, Panamá, Suriname e Trinidad e Tobago.

    Na carta enviada aos embaixadores desses países, os autores dizem que Weintraub pode causar “danos potencialmente irreparáveis” às “posições dos países dentro do Banco Mundial”.

    O texto ainda menciona a agressividade do ministro a cidadãos comuns, jornalistas, parlamentares e juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirma que ele “é a antítese de tudo o que o Banco Mundial procura representar à política de desenvolvimento e ao multilateralismo”.

    Veja declarações do ex-ministro da educação Abraham Weintraub

    Veja declarações do ex-ministro da educação Abraham Weintraub

    Os autores elencaram os seguintes motivos para que os países rejeitem a nomeação de Weintraub:

    • Uso da ideologia no lugar de políticas com base em provas
    • Habilidade fraca de negociação
    • Falta de compreensão e capacidade de lidar, por meio de políticas públicas, com injustiças econômicas e sociais
    • Desrespeito aos valores do multilateralismo, como tolerância e respeito mútuo
    • Conduta incompatível com padrões de ética e integridade profissional

    A carta também cita uma postagem feita em abril numa rede social com insinuações sobre a China, chamada pelos autores de “carregada de preconceito”. A recente revogação de uma portaria sobre políticas de inclusão na pós-graduação que incluem acesso de negros, indígenas e pessoas com deficiência também foi mencionada.

    “Estamos convencidos de que o senhor Abraham Weintraub não possui as qualificações éticas, profissionais e morais mínimas para ocupar o assento da 15ª editoria executiva do Banco Mundial”, encerra o texto.

    De acordo com o Banco Mundial, um eventual mandato de Weintraub terminaria em outubro, quando uma nova indicação teria que ser feita. A instituição reforçou que diretores-executivos não são funcionários, mas representantes dos 189 acionistas da organização.

    De acordo com o blog da Ana Flor, o salário do cargo que Weintraub deverá ocupar é de US$ 250 mil ao ano (cerca de R$ 1,34 milhão, em valores de hoje). Ele terá que morar em Washington.

    Saída de Weintraub

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    Weintraub pede abraço de Bolsonaro em vídeo de despedida do MEC — Foto: Reprodução/Redes sociais

    Weintraub pede abraço de Bolsonaro em vídeo de despedida do MEC — Foto: Reprodução/Redes sociais

    A saída do ministro do governo foi anunciada nesta quinta-feira (18) em um vídeo, divulgado nas redes sociais, do qual participaram Weintraub e o presidente Jair Bolsonaro. Weintraub vinha se desgastando politicamente nas últimas semanas, após dirigir ofensas a ministros do STF.

    “Sim, desta vez é verdade. Eu estou saindo do MEC e vou começar a transição agora. Nos próximos dias, eu passo o bastão para o ministro que vai ficar no meu lugar, interino ou definitivo”, diz Weintraub.

    Ele não quis falar sobre as razões da demissão. “Neste momento, eu não quero discutir os motivos da minha saída, não cabe. O importante é dizer que eu recebi o convite para ser diretor de um banco. Já fui diretor de um banco no passado. Volto ao mesmo cargo, porém no Banco Mundial”, acrescentou.

    Weintraub assumiu o cargo em abril de 2019, após a saída de Ricardo Vélez Rodríguez, e permaneceu no posto por 14 meses. No período, acumulou desafetos e disputas públicas com diversos grupos sociais — entre eles, a comunidade judaica e a representação da China no Brasil.

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