Brasil Ativistas denunciam censura de reuniões virtuais sobre a China no Zoom

Ativistas denunciam censura de reuniões virtuais sobre a China no Zoom

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Ao contrário de serviços de comunicação do Facebook e do Google, Zoom está autorizado a funcionar na China. — Foto: Andy Wong/ AP

Ao contrário de serviços de comunicação do Facebook e do Google, Zoom está autorizado a funcionar na China. — Foto: Andy Wong/ AP

Ativistas políticos denunciaram que a Zoom interrompeu reuniões de videoconferência e suspendeu contas envolvidas em conversas sobre temas considerados sensíveis na China, afetando inclusive participantes localizados nos Estados Unidos.

Em declarações enviadas à imprensa, a Zoom confirmou os casos, mas disse que é “obrigada a respeitar as leis dos países onde opera” e que “não tem poder para mudar as leis de governos que se opõe à liberdade de expressão”. A companhia prometeu desenvolver “novas capacidades” para proteger as conversas de participantes que não estão localizados nesses países, mas não deu detalhes sobre seus planos.

Uma reportagem do “New York Times” afirmou que a Zoom suspendeu a conta de Zhou Fengsuo, um ativista político chinês que hoje mora na Califórnia, nos Estados Unidos. A suspensão teria ocorrido alguns dias depois de ele participar em uma videoconferência lembrando o aniversário dos protestos de Tiananmen de 1989. À época, Fengsuo esteve presente no protesto.

Uma conferência sobre os protestos também teria sido interrompida em 3 junho quando a conta que a hospedava foi suspensa pela Zoom.

Já a agência de notícias “AFP” ouviu um ativista pró-democracia de Hong Kong, Lee Cheuk-Yan, que disse ter tido sua conta fechada em 22 de maio. A suspensão o impediu de realizar uma conferência com outro ativista. Lee disse que não obteve um reembolso nem explicações da Zoom.

A Zoom não detalhou se a censura ocorreu especificamente por pressão do governo chinês, mas os organizadores das conferências afirmaram que havia chineses entre os usuários que acompanhavam as reuniões, segundo o “New York Times”.

Diferente de muitos serviços e sites norte-americanos, o Zoom não é bloqueado na China. Isso permite a participação de chineses em conferências iniciadas por pessoas de todo o mundo, mas cria um impasse quando essas reuniões tratam de temas que seriam bloqueados pelo sistema de censura chinês, o “Escudo Dourado”.

Zoom vai restringir criptografia

O Citizen Lab da Universidade de Toronto, no Canadá, denunciou no início de abril que reuniões realizadas pelo Zoom poderiam utilizar servidores localizados na China e que a tecnologia de criptografia usada pela empresa tinha falhas que poderiam expor a comunicação dos usuários para autoridades chinesas.

As críticas recebidas pela Zoom levaram a empresa a dedicar um período de 90 dias para melhorar a segurança de sua plataforma.

A iniciativa começou em abril e deve terminar no fim de junho. Entre as melhorias criadas nesse ínterim estão uma criptografia melhorada e a possibilidade de escolher servidores preferenciais, de modo a evitar que a comunicação passe por servidores na China ou em outros locais especificados.

No entanto, parte desses recursos estará disponível somente para usuários pagantes. A criptografia de ponta a ponta – que impede totalmente o Zoom de visualizar as reuniões de seus usuários – é uma delas.

O presidente da empresa, Eric Yuan, explicou que a restrição da criptografia vai ajudar a plataforma a cooperar com autoridades policiais e suspender quem usa o Zoom para atividades ilícitas.

Plataformas que adotam criptografia em todas as comunicações, como o WhatsApp, normalmente têm dificuldades para restringir a disseminação de fraudes e conteúdos falsos. Durante a pandemia do coronavírus, o WhatsApp – por não poder filtrar ou analisar o conteúdo dos usuários – decidiu limitar encaminhamentos para todos os tipos de conteúdo.

No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) está debatendo a possibilidade de programas com criptografia serem bloqueados pela impossibilidade de cumprir ordens de interceptação determinadas pela Justiça. O ministro Edson Fachin e a ministra Rosa Weber se posicionaram contra qualquer bloqueio. O terceiro voto seria do ministro Alexandre de Moraes, que pediu vista do processo (mais tempo para analisar a questão), suspendendo o julgamento. Não há data prevista para o tema ser retomado.

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