Brasil Associação vê alta na demanda por 'soja responsável' e maior procura das indústrias

Associação vê alta na demanda por ‘soja responsável’ e maior procura das indústrias

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Setor vê chance de crescimento do segmento em um momento em que o mundo observa como os brasileiros estão lidando com a questão ambiental e o impacto da agropecuária para as florestas. Colheita da soja
Enrique Marcarian/Reuters
O consumo de soja certificada pela Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS, na sigla em inglês) cresceu 35% no primeiro semestre apesar das dificuldades impostas pela pandemia, e as perspectivas para esse nicho de mercado são otimistas, disse um especialista da entidade.
A plataforma global RTRS, que promove a produção da oleaginosa cultivada com elevados rigores ambientais e sociais, viabilizando prêmios pagos sobre o preço da soja aos agricultores, registrou negociação de 1,5 milhão de toneladas na primeira metade do ano, um número ainda pequeno perto do comércio total, mas que está pronto para crescer. “A compra dessa soja certificada imaginamos que daria uma parada (por causa da pandemia), mas foi o contrário, cresceu mais do que nos últimos anos. Dezessete países consumiram o material certificado só neste primeiro semestre”, disse à Reuters o consultor da RTRS no Brasil, Cid Sanches.
Os negócios também tiveram impulso da cotação do dólar frente ao real, uma vez que o Brasil, maior produtor e exportador global de soja, é o país de maior presença da RTRS, e os prêmios pagos pela oleaginosa sustentável chegam a girar em torno de 1% do valor do produto, acrescentou Sanches.
Questionado se os negócios aumentaram em meio a crescentes preocupações ambientais sobre a origem da soja, ele disse não descartar que o apelo da sustentabilidade também tenha guiado algumas transações. Ele atribuiu o crescimento a novas empresas participando da associação, enquanto outras mantiveram seu interesse.
Novo impulso
Segundo Sanches, um impulso adicional deverá ser visto em breve, com mais tradings buscando certificação para poder negociar a chamada “soja responsável”, em um momento em que o mundo observa como os brasileiros estão lidando com a questão ambiental e o impacto da agropecuária para as florestas. “As tradings estão buscando essa segurança para ter uma oportunidade a mais para o seu cliente lá fora”, comentou, lembrando que não basta só o produtor ser certificado para a transação com “soja responsável” ocorrer. “Na hora que precisa exportar, se a trading não está certificada, o produto perde a certificação”, explicou, comentando que esta é uma dificuldade para o mercado.
Ele lembrou que a brasileira Amaggi já tem todo o corredor do norte certificado pela RTRS, enquanto a Louis Dreyfus certificou uma unidade no porto de Santos. “Então já tem uma saída para Santos”, comentou, lembrando que os terminais também precisam cumprir as regras da RTRS.
Sanches afirmou ainda que a Cargill já tem muitas unidades, enquanto a Cofco está se certificando no Paraguai e na Argentina e a Bunge trabalha para certificar plantas de processamento no Brasil. “Vamos fechar o ano com estrutura pronta para exportação, de óleo e farelo, daí sim estaremos prontos para um crescimento sustentável”, destacou.
Do lado da demanda, a RTRS tem notícias otimistas, com a chegada de novos integrantes. A japonesa Fuji Oil Holdings Inc., a holandesa Remia C.V. e o Serviço Brasileiro de Certificações Ltda (SBC) se uniram à associação no último mês.
A empresa Fuji Oil e a Remi juntaram-se à Bakkavor Foods Ltd (Reino Unido), Foyle Food Group (Irlanda), Premier Foods PLC (Reino Unido), KellyDeli (Reino Unido), Koppert Biological Systems (Países Baixos) e SOK Corporation (Finlândia), que se incorporaram à associação no primeiro semestre do ano.
Certificações
Se o consumo de soja sustentável foi firme, novas certificações enfrentaram dificuldades da pandemia no primeiro semestre, uma vez que as vistorias apenas agora estão começando a ser retomadas nas fazendas e unidades produtoras.
As auditorias dos produtores já certificados voltaram a ser realizadas em junho, remotamente, contou Sanches, ressaltando que a operação remota não é um problema, porque nessas condições o auditor acaba sendo até mais rigoroso. Os trabalhos com novos candidatos ao certificado, contudo, aguardam melhores condições relacionadas à pandemia.
Os números mostram que foram certificadas mais de 788.193 toneladas até junho deste ano na América Latina (Argentina, Brasil e Paraguai) e Índia, com os brasileiros respondendo pela maior parte (685.607 toneladas). Normalmente, as certificações no primeiro semestre costumavam superar 1 milhão de toneladas.
Ainda assim, Sanches acredita que a RTRS pode conseguir fechar o ano com cerca de 5 milhões de toneladas de soja certificada no mundo, ante patares atuais que giram em torno de 4,5 milhões de toneladas.
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