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[ANTES DE COMEÇAR A MATÉRIA, FIQUE CIENTE QUE ELA ESTÁ RECHEADA DE SPOILERS]

Se você ainda não assistiu aos nove episódios de What If…?, evite esta matéria para não receber spoilers.

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Lançada sob forte expectativa, a primeira temporada de What If…? chegou ao Disney+ há cerca de dois meses. Marcando de vez a entrada da Marvel no mundo das animações, a produção veio com a proposta de explorar universos alternativos de personagens consagrados do MCU retratados de formas diferentes. Então, ao longo de nove episódios, heróis como o Homem-Aranha, Doutor Estranho, Erik Killmonger e Homem-Formiga ganharam novas interpretações. No entanto, apesar do grande potencial do projeto, a Marvel parece ter dado um passo maior do que a própria perna enquanto tenta se adaptar ao tempo reduzido de cada episódio.

Enquanto alguns capítulos couberam perfeitamente nesse formato de contar um história em aproximadamente meia hora, a maioria deles sofreu com essa duração reduzido, fazendo com que muitas tramas promissoras fossem contadas de forma apressada e decepcionante. Por exemplo, o episódio que adapta a saga dos Zumbis Marvel consegue trazer uma proposta realmente interessante e com um mundo inteirinho de heróis zumbificados para ser explorado. Do outro lado, há também o grupo dos heróis sobreviventes, que lutam para tentar sobreviver e encontrar uma cura. É uma trama que renderia uma série própria inteirinha. Porém, ao tentar se adaptar ao tempo, tudo fica muito corrido. As mortes dos heróis restantes não têm tanto impacto, assim como o próprio ritmo da história não deixa o espectador ter tempo o suficiente para sentir as perdas dos ícones. Em meio as mortes, há os heróis zumbis que fazem uma coisinha ou outra e logo são descartados, sem tirar proveito dos poderes especiais sendo usados por pessoas movidas pelo instinto.

Em contrapartida, há episódios que trabalham bem demais suas próprias histórias nesse espaço de tempo, como aquele que mostra T’Challa (Chadwick Boseman) sendo criado como Senhor das Estrelas. Na verdade, esse pode ser definido como o episódio perfeito da série. Não só pela forma como ele desenvolve a trama, mas também por não se prender a conceitos pré-definidos dos personagens apresentados. É o que faz mais uso da ferramenta que dá nome à série, que é se perguntar: “O que aconteceria se…?”. Ele ousa ao trazer uma versão completamente nova e diferente de dois heróis distintos, criando um novo ícone da Cultura Pop com seu próprio universo a ser explorado. Na verdade, dos filmes da Marvel, o núcleo do Pantera Negra foi o melhor adaptado aqui na série, já que o episódio que mostra como seria se Erik Killmonger salvasse Tony Stark foi uma expansão brilhante ao personagem, mostrando mais da parte estrategista dele que não foi tão explorada nos cinemas.

 

Já no caso de personagens como a Capitã Carter (Hayley Atwell) e Nick Fury (Samuel L. Jackson), eles tiveram um bom desenvolvimento, mas acabaram presos a uma estrutura narrativa muito conservadora, que apostou em praticamente copiar as histórias nas quais foram baseadas. Não chega a ser um erro, mas quando a proposta é ter uma série que explora linhas do tempo diferentes, por que perder tempo copiando e colando coisas que o público já viu em vez de trabalhar algo realmente novo? Se for parar para analisar, o episódio da Capitã é idêntico a Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), sendo que Peggy e Steve tinham personalidades e comportamentos diferentes. Então qual a lógica deles agirem da mesma forma e viverem praticamente as mesmas histórias? Não seria melhor trazer novidade para uma personagem que talvez venha a ser aproveitada futuramente em outras produções? É uma opção criativa do estúdio que deixa muito a desejar.

 

Houve também o resgate de alguns personagens que não foram tão bem trabalhados no MCU, que apareceram na série e deram verdadeiros shows, mostrando o real potencial desses heróis e vilões. Apesar de ser a super-heroína mais forte dos cinemas, a Capitã Marvel teve sua participação em Vingadores: Ultimato (2019) resumida a ser a personagem que destrói coisas. Já em What If…?, ela ganha um desenvolvimento mais carismático, mostrando muito mais dela em alguns episódios. O mesmo acontece com Hank Pym (Michael Douglas), que deixa de ser só o “velhote da cadeira” e parte pra ação como Jaqueta Amarela. Mas quem realmente se destaca nessa proposta de “redenção” é o robô genocida Ultron. Se a versão cinematográfica do robozão deixou a desejar, a abordagem de sua versão animada foi perfeita, mostrando todas as possibilidades que o personagem abria para serem trabalhadas, ousando em representar o quão longe ele poderia ir para concluir sua missão de “trazer paz para o nosso tempo”.

Falando de questões técnicas, o maior incômodo foi o estilo de animação adotado. Quer dizer, nada contra a animação 3D, mas o uso artístico não foi o melhor possível. Isso porque os episódios variavam entre uma representação fiel dos atores que interpretam os personagens, enquanto outros pegavam versões mais cartunescas, mais próprias, por assim dizer. Essa indecisão entre copiar os personagens do cinema ou dar visuais próprios para eles causou um grande estranhamento. Além disso, se adotassem uma estética mais próxima da usada em Homem-Aranha no Aranhaverso (2018), que trazia toda uma arte que remetia aos quadrinhos.

Falando sobre o trabalho vocal, a versão original sofre muito por não poder contar com alguns atores originais, que foram substituídos por dubladores que não dão personalidade aos personagens, mas tentam fazer imitações das vozes de Robert Downey Jr., Chris Evans e Brie Larson, por exemplo, o que é horrível. Em compensação, Chadwick Boseman e Benedict Cumberbatch dão show com seus personagens. Ou seja, num geral, é interessante assistir a What If…? dublado, porque, pelo menos na versão brasileira, os dubladores que já trabalham há anos com esses heróis foram convocados e fazem um ótimo trabalho.

Por fim, vale analisar a série por uma perspectiva mercadológica. Transitando entre ter alguns episódios muito bons e outras bem decepcionantes, a primeira temporada de What If…? foi nitidamente conduzida como um “laboratório de testes” da Marvel para ver como o público reage a certas abordagens de seus heróis para entender o tamanho da aceitação e/ ou rejeição que elas causam, prospectando uma margem do que os espectadores querem ver ou não com Doutor Estranho, Homem-Aranha e companhia. E como também existe a possibilidade de alguns desses personagens darem as caras em produções futuras, já que o Multiverso está aí, a série acaba dando quase um gabarito de quem será bem aceito caso apareça de surpresa num filme ou numa série.

Por conta dessa abordagem de “laboratório de testes”, a Marvel se permitiu fazer episódios mais sérios e outros mais descompromissados. Nesse contexto, houve muitos acertos e muitos erros, que certamente servirão como dados do que fazer ou não daqui para frente. Além do mais, introduziram o Vigia (Jeffrey Wright), que ainda deve aprontar bastante nessa Fase Quatro. Então, fica aquela sensação de que a Marvel, por mais que bem intencionada, acabou dando um passo maior do que a perna enquanto tentava entender melhor o formato das animações. O lado bom é que provavelmente todas as séries animadas que o estúdio decidir lançar daqui pra frente serão bem melhores do que essa primeira temporada de What If…?. Por outro lado, fica aquele sentimento de frustração de que essa temporada poderia ter sido bem melhor.

A primeira temporada de What If…? está disponível no Disney+.

The post Crítica ‘What If…?’ | Primeira temporada mostra Marvel tentando correr antes de andar no cenário das animações first appeared on CinePOP.

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