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Tecnologia

A Avenida Paulista recebe nesta quinta-feira (8/06/2017) uma mostra de arte cibernética. A exposição ocupará três pisos do Itaú Cultural, com 10 obras, de artistas brasileiros e internacionais.

A mostra discute sobre o desenvolvimento da tecnologia, tornando as máquinas cada vez mais complexas e mais capazes de processar dados e resultados. É uma exposição que se propõe a agradar a todos, leigos e não leigos, adultos e crianças.

Consciência Cibernética fica em cartaz até o dia 6 de agosto, e traz trabalhos da Regina Silveira, Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, José Wagner Garcia, Heloisa Candello, Claudio Pinhanez e Paulo Costa, entre os brasileiros, e Adam Brown, Christa Sommerer e Laurent Mignonneau, Jon McCormack, Pascal Dombis e Ruairi Glynn.

A mostra aborda a evolução das máquinas, que cada vez mais assumem funções antes só alcançadas pelo cérebro humano

SERVIÇO

Exposição: Consciência Cibernética [?]

Abertura: 7 de junho, quarta-feira, às 20h

Visitação: 8 de junho (quinta-feira) a 6 de agosto (domingo)

Horarios: Terças-feiras a sextas-feiras, das 9h às 20h e Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h

Local: Itaú Cultural

Endereço: Avenida Paulista, 149 - Pisos 1, -1 e -2
Próximo a estação Brigadeiro do Metrô.

Indicado para todas as idades


Materia Completa: 

Proposta do Itaú Cultural é saber se todo o poder computacional por trás da Realidade Virtual, da inteligência Artificial e da Internet das Coisas será capaz de levar as máquinas a terem algum tipo de consciência

2006, o Itaú Cultural explorou as interfaces cibernéticas. Depois, vieram a emergência cibernética e a autonomia cibernética, em 2008 e 2010. Agora chegou a vez de questionar a consciência cibernética. A proposta feita aos artistas foi tentar responder, com suas obras, se o poder cada vez maior das máquinas permitirá que elas atinjam algum nível de consciência. O resultado são 10 obras, de artistas brasileiros e internacionais, que ficarão em exposição na sede do instituto até o início de agosto.

 

Íris mecânicas que reagem às variações da luz, da imagem e à presença dos observadores; formas de vida sintéticas, tridimensionais, brilhantes e falantes que se comunicam entre si e silenciam totalmente, ao ponto de se desligar ao serem avisadas sobre a aproximação dos visitantes; atores cibernéticos criados pela inteligência artificial que incorporam personagens de Dom Casmurro, de Machado de Assis, em uma conversa com o público; uma simulação, em tempo real, da reconstrução de fibras biológicas por meio de nanomáquinas; uma experiência estética em realidade virtual através de labirintos definidos em 3D por um supercomputador do HLRS; um ecossistema artificial interativo e autossuficiente povoado por uma coleção de criaturas virtuais em evolução, que se alimentam da proximidade dos humanos. São, todos, parte da mostra que ocupa três pisos do espaço expositivo do Itaú Cultural e cujo conceito é assinado por Marcos Cuzziol, gerente de Inovação do instituto.

Se você vai estar em São Paulo neste feriado, recomendo uma visita. Será uma boa oportunidade de perceber, com todos os sentidos, o futuro que a Relidade Virtual, a Inteligência Artificial, o Machine Learning, a Internet das Coisas e os biochips nos prometem. Fiquei particularmente enacantada com as obras Eden, de Jon McCormack, Lifeless (Nano) Biomachines, de José Wagner Garcia e Bion, de Adam Brown e Andrew H. Fagg.

A obra Eden, cria um ecossistema artificial interativo e autossuficiente povoado por uma coleção de criaturas virtuais em evolução. Elas se movimentam, se reproduzem, se alimentam e emitem sons, reagundo à presença dos visitantes humanos, aprendendo maneiras de mantê-los interessados e próximos, já que é a nossa proximidade que faz surgir os alimentos que necessitam para não morrer. Outras duas obras exploram sensores de presença. Em Fearful Symmetry (Terrível Simetria), de Ruairi Glynn, uma luminária em forma de tetraedro desliza no ar para brincar com o público, aproximando-se e afastando-se a medida que as pessoas observadas por ela se movimentam pelo espaço. É divertido ver do que somos capazes apaenas para atarir a sua atenção.

 

Já em Bion, centenas de pequenas esculturas tridimensionais, luminosas e sonoras, pendentes do teto, se comunicam entre si e fazem contato com o público. Quando nos aproximamos de qualquer uma delas a ponto de tocá-las, elas emitem alertas da nossa presença para as demais sinalizando perigo, inicialmente. É a senha para ficarem em silêncio ou, até mesmo, se auto deligarem. Ma quando se acostumam com a presença do visitante, tudo mudo. Elas reagem como se fossemos parte do ecossistema e  incorporam a nossa presença à sua dinâmica anterior, emitindo sons ainda mais altos.

 

E Lifeless (Nano) Biomachines propõe programação de fibras biológicas por meio de nanomáquinas controladas por um biochip. Se você nunca viu um, está aí a sua oportunidade. E a de visualizar o acontecerá quando nosso DNA puder ser editado e corrigido.

Inteligência Artificial na arte - Outras três obras exploram os recursos da Inteligência Artificial.

Neuro Mirror, de Christa Sommerer e Laurent Mignonneau, é uma instalação interativa que procura explorar a imagem que temos de nós mesmos. O visitante se vê em três telas, dispostas como um tríptico. A do meio mostra o rosto do participante em tempo real, enquanto a da esquerda revela sua imagem do passado e a da direita, uma previsão da imagem futura, de acordo com o que o algoritmo consegue aprender de nossas reações nos olhando no espelho.

 

A própria eruipe do Itaú Cultural se arriscou a criar uma instalação a partir das técnicas de reconhecimento de padrões de imagens usada pelo software Deep Dream, do Google. Batizada de Sonhos Urbanos, um vídeo produzido com cenas urbanas da Avenida Paulista é submetido ao programa e, a partir daí, ter uma série de imagens surreais geradas pelo algoritmo de reconhecimento de padrões sobrepostas a ele. A certa altura, o sonho se assemelha mais a um delírio. Ou até  mesmo  um pesadelo, dada a nossa impossibilidade de fixar uma que seja entre as várias imagens sobrepostas.

 

Passei mais tempo, confesso, conversando com os personagens de Dom Casmurro. Desenvolvida por pesquisadores da IBM, a obra é um exemplo bem simples do que a Inteligência Artificial, aliada com chatbots de texto, é capaz de fazer.  Café com os Santiagos nos convida a ser o quarto convidado, de modo a encaminhar perguntas a qualquer um dos personagens principais: Capitu, Bento e Escobar. As respostas são extraídas de frases do livro. De modo que, perguntas atuais, fora do contexto da história, acabam sendo recebendo respostas evasivas do tipo "Gostaria de mais café?".

 

Cláudio Pinhanez, Gerente Sênior de Análise de Dados do Laboratório de Pesquisas da IBM Brasil, que há nos pesquisa e pesquisa sistemas conversacionais, novas interfaces para computadores e inteligência artificial, comenta que a próxima onda de pesquis na área de chatbots será conversamos com mais de um deles, simultanemante, e eles entre eles, como se estivéssemos em uma reunião. E é isso que a instalação Café com os Santiagos tenta demonstrar.

 

"Dom Casmurro é um livro interessante, que tem muitas perguntas em aberto. Então o sistema de geração de bots da IBM criou um bot para cada personagem, capaz de responder às perguntas feitas pelos visitantes", comenta Pinhanez. Quando nos aproximamos da mesa, os personagens já estão conversando entre si, reproduzindo diálogos do livro, ou criando diálogos novos, usando frases da obra, dando sequência à última pergunta feita.

"Aos poucos, o sistema de chatbot vai aprendendo com as perguntas feitas, de modo a melhorar as respostas", comenta Pinhanez. Tanto é assim, que ao perguntar para Capitu por quem ela era verdadeiramente apaixonada, ela me respondeu na lata: "Por seu amigo Escobar", assumindo a paixão. Mas Bentinho não foi capaz de afirmar taxativamente que Ezequial não era seu filho. A resposta foi o quanto Ezequiel se parecia com Escobar.

"O que o sistema sabe está relacionado com o quanto de informação ele teve acesso", explica Pinhanez. O que me deixou com vontade de voltar lá, em uma data mais próxima a do fim da exposição, para saber se as respostas ficarão mais redondas. A ferramenta usada para fazer as perguntas também evolui com o uso. Vai guardando as palavras já digitadas, facilitando a digitação por parte dos visitantes, poupando tempo.

 

A instalação foi construída na plataforma de desenvolvimento de aplicações na nuvem, IBM Bluemix e utiliza os serviços de Watson Conversation, Watson Tone Analyzer e Watson Text-to-Speech. Além de  permitir a conversa entre os personagens e os visitantes, o sistema detecta a emoção nas perguntas realizadas e torna a obra acessível a portadores de deficiência visual com auxílio dos serviços de conversão de texto em fala.

 

Realidade Virtual

E não esqueça de levar as crianças. Tenho certeza que elas vão adorar passear pelos labirintos da instalação Odisseia, criada por Regina Silveira. O ambiente imersivo foi criado com o High Performance Computing Center (HLRS), da Universidade de Stuttgart, na Alemanha. Somos convidados a percorrer o labirinto 3D, criado por um supercomputador. Com entradas e saídas em cada face e uma disponibilidade alternada de caminhos, o público se sente em uma passagem pelo interior de um espaço vítreo e labiríntico, no qual é possível caminhar sem gravidade em direção às possíveis saídas do lugar. Vale tudo, até subir pelas paredes. Só não podemos atravessar as paredes.

 


Fontes: 
G1 - SP
IgNow